quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rotinar

Eu rotino
Tu rotinas
Ele(a) rotina
Nós rotinamos
Vós rotinais
Eles(as) rotinam
Rotinar é maravilhoso. Acordar, fazer a cama, tomar banho, comer, lavar a louça, varrer o chão, comprar o pão e toda a outra comida, arrumar o frigorífico, passar a ferro.
"Que aborrecimento" terão todos pensado.
Mas não o é.
É na rotina que se esconde o nosso eu em habitat natural, ergue-se dia após dia (tijolo a tijolo) o muro rotineiro da vida que nos separa do que não somos.
Constrói-nos aquilo que fazemos e o que deixamos não feito. Aquece-se nos a espiral da rotina e causa-nos aquele tão bom arrepio na espinha sair dela naquela vez.
Todos os sonhos perecem se não sustentados pela rotina.
É quando estamos fora de casa que ela nos parece mais bela.
Pode ter ficar tanto por fazer mas como é belo trabalhar em uníssono com as nossas células para a homeostasia.
Muda-se o ser
Mudam-se as vontades
Mas a rotina (quando ela muda)
É porque se mudou uma vida


Rotinarais comigo de agora em diante?
É pergunta de um milhão de euros.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Perdão

Éramos, como todos diziam, diferentes. Passavam as horas e o tempo não passava por nós - talvez por sermos assim: diferentes um do outro.
As conversas fluiam como cascatas à espera de se estilhaçarem nas rochas. Intemporais e intransmissíveis. Na transmissão de um olhar, estirpes de segredos e de alguma maledicência polvilhavam o ar.
Momentos agradáveis como sorvete de morango.
Mas na vida - e é algo que todos aprendemos - as coisas não são perfeitas, nem estáticas enquanto boas: mas nem sempre más.
Naquele dia, infelizmente, foram.
Tenho de ligar com a culpa como se se tratasse de uma capa que para assentar se equivale a luva. Tem um brilho turvo a cartiçal. Sobra-me saber e lidar com o desrespeito com que tratei a tua essência.
Peço-te que me perdoes por ter contado uma piada, esquecendo, com toda a leviandade, que, sendo tu um nó à marinheiro, poderias desaparecer sob a pena de te teres desatado a rir.